Saudade é um sentimento que muitas vezes chega sem avisar. Ele pode aparecer em um café da manhã silencioso, enquanto anda na rua, no meio de uma conversa, em momentos cotidianos ou em momentos mais simbólicos, como um aniversário, feriado, dia doente ou o momento que passou naquela vaga que queria tanto.
Sair do seu país de origem normalmente vem acompanhado da saudade.
Você, sem conseguir nomear exatamente ou de fato perceber, pode sentir saudade de uma pessoa que costumava te dar bom dia
de árvore que você observava na sua rua
da cerveja gelada no fim de semana com a família
do sotaque de um amigo
da piada de um tio
e até do caminhão de gás passando na sua rua numa tarde qualquer.
Coisas pequenas que faziam parte do seu dia e que, e justamente por não serem extraordinárias, talvez você nem percebesse o quanto significavam. Esse é o tipo de saudade que passa despercebido, aparece como uma ausência, difícil de ser nomeada e sustentada.
A saudade pode ser simplesmente de uma sensação de familiaridade ou dereconhecer o lugar onde se está. Saber como as coisas funcionam sem precisar pensar muito, um certo conforto.
Ou, vir acompanhada e misturada com outros sentimentos. Culpa por estar longe, por se sentir distante, por não estar presente em momentos importantes. Estranheza por sentir falta de coisas que ficaram para trás justamente quando você está vivendo uma vida que escolheu, que desejou e que talvez tenha sonhado por muito tempo. Alegria, por reconhecer que dentro dessa saudade vive também uma segurança. Nostalgia, por tudo que viveu. E coragem, que te lembra que mesmo com essas faltas, você ainda sustenta a saudade e decide seguir.
Talvez parte importante do caminho seja poder reconhecê-la, como e quando aparece, e que sentimento traz consigo. Permitir que ela seja sentida e, aos poucos, destrinchar o que ela te traz.